Caríssimo e inteligente leitor: escrevo este artigo por viver uma condição de abandonado pelos serviços ditos públicos essenciais. São, basicamente, os serviços prestados pelas concessionárias de serviços públicos à população.
No sábado, um caminhão com um irresponsável ao volante resolveu carregar uma retro-escavadeira na carroceria. Esse arranjo idiota (perdão pelo peso das palavras) fez com que o caminhão e sua carga ultrapassassem os
Isso aconteceu no sábado, na hora no almoço, a luz apagou e o telefone ficou mudo. Xiiii, eu e meus vizinhos nos tornamos reféns de uma única tacada, da Ampla e Oi.
A via crucis iniciou com os telefonemas para a Ampla. Achei que fosse fácil, pois não havia ventado forte e nenhum caos estava acontecendo pela cidade. Haveria equipes de sobra, preparadas para sair imediatamente, pensei como um coelhinho da Páscoa. Eis que a minha emergência e de mais ou menos 40 casas da região foi qualificada como “pequena”, sendo que a atendente disse que o conserto seria feito até as 23hs. Insisti e afirmei que faíscas e estampidos estavam ocorrendo nos fios caídos, sem parar. Foi quando a atendente perguntou se era “de alta ou baixa tensão”. Informei que os fios eram de alta tensão que estava saindo faísca, e ainda que os fios estavam a menos de
Outra guerra foi com a Oi, mais uma triste empresa, que continua com o mesmo perfil da antiga estatal CTB, Cia Telefônica Brasileira, só que cobrando muito mais.
Varias foram as ligações pedindo o reparo, principalmente pelos usuários do serviço Velox, que dependem diretamente da Oi. A região Oceânica ainda não possui GVT, empresa excelente, porque não tem fibra ótica, dizem.
Dezenas de protocolos de atendimento foram devidamente anotados por mim e pelos meus vizinhos e pelas pessoas de toda a rua. A primeira promessa foi aquela feita para boi dormir: 24 horas para o reparo ser realizado. Na segunda reclamação, no dia seguinte, eles informam que o correto é o prazo de 48h para os reparos. No terceiro dia com os telefones ainda mudos e sem internet, os consumidores da Oi já desdenhavam das pobres atendentes, e simplesmente perguntavam por que não foi realizado o reparo e, principalmente, por que NINGUÉM DA OI compareceu ao local, nem para verificar. Sem respostas.
Simplesmente a Oi não funciona nos fins de semana. Fica fechada e apenas um computador, sozinho, passa as horas cortando os telefones com contas em atraso (o que é correto), mas deixam de consertar os que se encontram adimplentes (o que é errado).
A privatização foi uma boa para a nossa quase fechada economia de mercado. O serviço de telefonia celular com quase 190 milhões de usuários é uma prova de investimentos. Mas, não se esqueçam, é segundo custo mais caro do mundo, perdendo apenas para um país africano.
O que falta é fiscalização, multas realmente pagas pelas empresas e condenações judiciais em valores efetivamente educativos pelas falhas na prestação de serviços à população.
Não é tolerável ficar horas sem luz porque a Ampla não possui equipes suficientes nas ruas. Não é tolerável ficar dias sem telefone porque a Oi finge que você, enquanto consumidor, não existe. Muito menos tolerável é contar com apenas um serviço de travessia para o Rio e, além de ficar à deriva no meio da Baía de Guanabara e às vezes bater nas pedras, a Barcas S/A ainda “agradece a preferência”... Como? Se ela, e apenas ela, explora sozinha o serviço?
Termino este artigo às 21:45h de segunda-feira, 15/11/2010. Os postes continuam envergados sobre a rua. Para evitar que outros caminhões batam nos fios arriados, a Ampla pendurou galhos de árvores nos fios, além de sacos plásticos de supermercados. Algo bastante subdesenvolvido. Poderiam sinalizar o local pendurando nossas contas de luz. Ficaria mais simpático. Quanto à Oi, esta sequer apareceu para consertar. Terei que gravar este texto num pen drive e correr para enviar via casa de amigos para a redação do DIZ.
Somente um processo judicial diante deste total desrespeito e desconsideração para com os seus consumidores.
Artigo Publicado no Jornal Diz - Niterói/RJ - Nov/2010
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