(Artigo Publicado no Jornal Lig - 20/06/2009) www.ligjornal.com.br
O governo “descobriu” que o setor de empresas que administram cartões de crédito pode estar aplicando práticas que revelam a existência de cartel.
A grande “descoberta” foi feita com base em estudo dando conta que somente duas empresas controlam enorme parte do mercado de cartões de débito e crédito. A VisaNet e a Redecard praticamente impedem a entrada no mercado de outras várias empresas que atuam em todo o mundo.
Vamos a alguns números desse mercado controlado pelas duas empresas. Não por coincidência, as empresas dominadoras possuem donos poderosos. A VisaNet é de propriedade dos seguintes bancos: 39,5% do Bradesco; 32% do Banco do Brasil e 14,4% do Santander. A Redecard tem como acionista principal o Itaú com 50,1%.
Fiquei deveras espantado com o número a seguir: são 2.400.000 máquinas de cartões que são alugadas ao comércio em geral e o valor dessa locação é praticamente imposto pelas empresas administradoras e quanto maior o comércio, claro, maior o poder de negociação. Então, os pequenos comerciantes que detém a maioria das locações de máquinas pagam mais caro.
Além disso tudo, as taxas cobradas pelas empresas de cartões de crédito aos lojistas são altíssimas se comparadas com o percentual cobrado em outros países e esse preço acaba sendo repassado ao consumidor, claro.
Um dos principais problemas quando existe este tipo de controle de mercado é a fixação de preço que se impõe a toda uma camada de consumo, resultando na interferência do preço no macromercado nacional, contaminando toda uma cadeia de consumo. Algo que merece de fato atenção dos órgãos governamentais. Também considero que preço combinado e monopólio são nefastos para a economia de mercado e, claro, a conta final acaba nas mãos do consumidor final. Um absurdo e uma ilegalidade que afronta a liberdade de mercado, portanto afronta também a nossa liberdade.
Outros casos de controle total de preços é o setor de combustíveis. Nota-se claramente que há cartel quando um mesmo preço é praticado por quase todos os postos de gasolina de determinada região. Se bem que no quesito gasolina, temos a existência de uma única empresa no Brasil, que refina e revende o produto para as distribuidoras, que é a Petrobrás, este patrimônio nacional que na verdade controla e mantém este preço caríssimo da gasolina nas bombas. A estatal erra muito e trabalha contra a macroeconomia. A Petrobrás está atravancando o crescimento do Brasil, desaquecendo a economia porque combustível caro representa mais uma facilidade para a recessão. Precisamos lutar contra isso de qualquer maneira.
Voltando às empresas de cartão, pergunto por que não se consegue encontrar concorrentes para entrar no mercado nacional. Respostas existem e uma delas é que a Visanet e a Redecard não permitem, de alguma forma. Todas que tentam entrar no mercado acabam sendo, de alguma forma, desestimuladas a fazê-lo e muitas vezes compradas.
É um problema que poderá ser resolvido, quando esta investigação chegar aos resultados finais mais evidentes: estamos nas mãos de duas empresas quando usamos nossos cartões ou quando o banco nos oferece. Quando escrevo que estamos sendo prejudicados, escrevo como consumidor, mas também escuto muita reclamação de comerciantes.
Se nossa economia está abrindo seus espaços para o mundo, então que permitam que outras empresas atuem no setor de cartões de crédito e débito, e assim, de fato possam nos ajudar a baixar tarifas, custos e, quem sabe, até os juros cobrados.
Em Tempo: no meu último artigo, “promovi” o Deputado Ulisses Guimarães a Senador. Escorreguei na memória. O Deputado Ulisses Guimarães (11 mandatos consecutivos) foi um dos maiores combatentes pelas eleições diretas para Presidente da República, ou seja, lutou pela atual democracia brasileira. Desapareceu no mar de Angra dos Reis, num acidente de helicóptero em 1992.
* Advogado - www.fariasmelloberanger.com.br
fmelloadv@gmail.com
Recebi muitos e-mails sobre o artigo onde abordei a questão da “negativação” do nome do suposto devedor de impostos no Serasa. Houve dúvidas a respeito da tal da penhora on line. Leitores querem saber o que é, e como funciona. Tenho um espaço pequeno aqui neste grande Jornal para explicar com detalhes, mas tentarei ser breve.