Institutos de Pesquisas Perderam a Eleição
Quem perdeu a eleição foram os institutos Ibope, Datafolha e outros.
O eleitor saiu de casa de manhã para votar com os seguintes números Dilma com 51%, Serra com 29% e Marina com 16% considerando a chamada margem de erro de 2%. Mas ainda assim, tivemos resultados totalmente diferentes, como todos sabem: Dilma 47%, Serra 33% e Marina com quase 20%.
Não quero trazer para essas linhas qualquer traço de irresponsabilidade. Mas, com todo respeito: HAJA MARGEM DE ERRO PARA JUSTIFICAR OS ERROS!
A frase mais comum que ouvi durante os últimos 30 dias antes das eleições foi que a Dilma levaria a Presidência da República no primeiro turno. Sem chances para o Serra e virando as costas definitivamente para Marina. O salto alto da Dilma virou sandália da humildade, pois mesmo com o apoio gritante de Lula, algo deu errado no final.
Não sei para onde se dirigem o Ibope, Voxpopoli, Datafolha e muitos outros quando realizam suas pesquisas. Não sei onde estavam os eleitores que justificassem os 51% de Dilma e que se transformaram em 47%, da noite para o dia.
Vamos à constatação que mais intriga o cidadão comum e eu sou um deles: jamais fui abordado por um pesquisador do Ibope. Jamais fui indagado sobre nada! Nem sobre qual programa de televisão que estou assistindo, muito menos em quem irei votar. Jamais fui abordado na tal “pesquisa de boca de urna”. E olhe que voto numa das Zonas Eleitorais mais movimentadas, a do Clube Central, na populosa Icaraí nesta grandiosa e importante cidade eleitoral.
Mais intrigante é que procurei saber se eu era uma exceção ou coincidência e constatei que não, ou seja, nenhum familiar, amigo ou conhecido declarou que foi “pesquisado” pelo Ibope, Datafolha... Realmente intrigante! Me parece que estas pesquisas são feitas no “olhômetro”, no “enganômetro” ou com base em “fortes indícios”? Faltam ciência, metodologia e transparência.
Se a pesquisa foi feita na Rodoviária de N. Iguaçu, por exemplo, ao perguntar quem ganhará as eleições, a resposta esmagadora foi uma. Se à porta do embarque internacional do Aeroporto Tom Jobim, a resposta foi outra e totalmente diferente.
Fico me perguntando: e se esses Institutos de Pesquisas resolverem, por interesse, somente pesquisar onde lhe interessam? É demais óbvio que o resultado irá esbarrar na realidade do voto.
Isso pode ter funcionado quando não havia urna eletrônica e muito menos existia Internet, redes sociais, onde ficamos sabendo o nível de aceitação daquele ou daquela candidata.
Querem saber o que acho? Acho que esses institutos de pesquisas não pesquisam nada. Dão meia dúzia de ligações, fazem o cálculo da tal “margem de erro” e saem vendendo os sonhos para os candidatos e partidos, e pior, iludindo ou aterrorizando os eleitores.
Essa vida mole tem que acabar. Se Dilma obteve 47% dos votos, Lula não pode ser agraciado com mais de 80% de aceitação. Algo está errado e muito errado!
É uma pena que isso tenha ocorrido no meio da democracia, no meio da eleição mais importante, pois denigre esses institutos e que passaram a entrar nos rol das empresas que o povo não confia.
A democracia é assim: elegemos palhaços, mas não gostamos de ser enganados!
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Artigo Publicado no Jornal Diz - Niterói 09/10/2010
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