sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Político, um Ser Especial


Eles não precisam trabalhar todos os dias. Muito menos tem férias iguais aos mortais, pois chegam a 4 meses. Eles não precisam pagar pelo escritório que ocupam. Não pagam as contas de luz e telefones dos seus gabinetes e dos seus funcionários de confiança. Não pagam pelo material de escritório que utilizam muito menos as despesas com correios. Muitos ainda ganham passagens aéreas e “cursos” no exterior, além dos famosos congressos que se realizam em verdadeiros paraísos turísticos.

Não se esqueçam que eles não precisam pagar os salários dos funcionários que ocupam seus gabinetes e dizem que muitos ainda recebem um percentual de volta. Também recebem automóveis e ajuda de custo para o combustível, e que ajuda! Isso sem falar nos mais polpudos salários do Brasil.

Em Brasília, eles podem ocupar os apartamentos destinados à sua moradia, sem qualquer custo e com os salários das secretárias pagos com o nosso dinheiro.

Quando são filmados, gravados e descobertos na prática de crime, com suspeita de roubar os cofres públicos ou a iniciativa privada, nada acontece. Raríssimas e pouquíssimas vezes ouve-se que algum político foi condenado à perda do mandato e dos direitos políticos por 8 anos. Jamais são presos pela prática de crimes, pois são blindados pelo foro especial e quando se fala em Brasília, o próprio regimento interno do Congresso, por exemplo.

Surge na mídia como uma brecha de conforto para os eleitores, a chamada ficha limpa em que a proposta seria fazer “varredura” nos nomes dos candidatos de modo que quem não tivesse a ficha limpa não poderia ser candidato e, portanto, eleito.

Assim, estaríamos livres destes candidatos.Mas não foi o que ocorreu. A proibição para candidatura ficou somente para os que já foram condenados. Mas sabemos que a grande maioria dos candidatos já responde a numerosos processos de um modo geral e quanto a estes, como ainda não há sentença, podem ser eleitos. Quando eleitos, indaga-se, o que querem ou fazem com o seu dinheiro, caro leitor. Chegam mesmo a, simplesmente, não fazer nada.

São tão despreparados que sequer conseguem gastar as verbas autorizadas porque não possuem projetos ou idéias aproveitáveis.

Eles são tão o quase inúteis que um cupim, cuja função na natureza e no ecossistema nada traz de aproveitável para o planeta.

Aliás, Jô Soares se pergunta sempre: para que serve um cupim?

Enquanto isso, nós, seres humanos, consumidores comuns e eleitores não conseguimos dar um passo qualquer sem deixar de pagar um único centavo.

Temos que batalhar por cada centavo que ganhamos, seja através de salários, seja através de honorários. Além disso, não são muitos os ladrões na iniciativa privada, somente aqueles que resolvem enganar o consumidor.

Se falamos em ficha limpa para os candidatos, nós, de outro lado, temos a chamada ficha suja, que diz respeito a uma mera inclusão nos cadastros restritivos de crédito, SPC e/ou Serasa, seja por uma inadimplência eventual ou até mesmo por uma fraude, e ainda que não exista ação contra o consumidor, ele já está automaticamente condenado. Ora, não se consegue nenhuma vantagem, seja ela financeira ou moral quando seu nome vai para o Serasa/SPC.

As dificuldades continuam se precisar arrumar um emprego ou quem sabe tomar posse em um concurso público.

Você, consumidor que teve seu nome injustamente incluído no SPC ou Serasa, e não sendo candidato a qualquer cargo político, terá que procurar a Justiça e tentar obter uma liminar judicial para “limpar” o seu nome e conseguir continuar a sobreviver.

Antes de votar, analise a ficha dos seus candidatos.

(Artigo publicado em set/2010 – Jornal Diz – www.dizjornal.com.br)

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